Tassila Custodes é uma multi-artista-arisca autodidata de 25 anos, natural de São Luís do Maranhão. Caçadora de uma arte-comunicação com um olhar afro-realizador. Suas obras reluzem territórios, ancestralidades maranhenses e expansão de consciências, atualmente, foca a sua produção na criação de pinturas, ilustrações digitais e grafite. Integrando exposições coletivas nacionais e internacionais.
Nascida e criada na periferia, encontra sua inspiração no cotidiano caótico onde se alimenta do contato pulsante com as pessoas e da observação do que acontece ao seu redor. Em sua trajetória, ela confia nas orientações de seus invisíveis e no fortalecimento interior que a arte proporciona. Como ela mesma diz: “Amo como a criação das artes me expande – sou uma cobra encantada, filha da que serpenteia aqui nestas terras – cresço e troco de pele a cada obra.”

Obra de arte de Tassila Custodes - Exu em sua performance de engolir mundos e fundos  - Acrílica sobre tela

How did your journey into the art world begin?

Meu processo artístico começou na infância, cresci em um lar repleto de artes, sorrisos e manualidades. Minha tia possui um talento incrível, e meu pai, que era fotógrafo e desenhista, me transmitiu essa paixão pela imagem. Na escola tomava a frente nos projetos escolares, apresentações e na construção visual de tudo que fosse “mais criativo”.
Na adolescência, me aventurei em diferentes estilos e nos mais variados tipos de desenho. Tudo era novo e empolgante, e essa exploração ampliou minha visão sobre a arte e a legitimidade. Aos 20 anos, iniciei minha jornada para transformar minha arte em uma carreira profissional. Esse processo foi enriquecedor e contou com o apoio e entendimento de grandes artistas maranhenses, que me ajudaram a reconhecer os caminhos e construir pilares firmes.

What themes do you prefer to explore in your works?

Minha criação é o miolo entre o sonho e a realidade , onde o visível e o invisível dançam em permanente transformação. Meus caminhos passam pelo Tambor de Mina e pelo Terecô do Maranhão, por seus tambores e encantados, por suas memórias vivas. É nesse pulsar ancestral que investigo as marcas do tempo, as cicatrizes da história e as possibilidades de cura.
Minha arte é corpo e sopro, é ritual e travessia. Nela, as questões raciais e políticas não são apenas discurso, mas urgência e pertencimento. Busco, entre imagens e palavras, reafirmar identidades, resgatar saberes e provocar encontros – sempre com o olhar voltado para a plena garantia da saúde da população racializada. Porque criar, para mim, é um ato de resistência, um espaço onde o real e o onírico se fundem para ‘re-imaginar e re-animar’ futuros certeiros. Estou cansada de “futuros possíveis”.

Obra de arte de Tassila Custodes - Yemanjá - A montanha  - Acrílica sobre tela

Who are the artistic influences that have impacted your work?

Essa pergunta explode a minha mente, porque a vida é tão criativa – tudo é criação! As inspirações vêm de todos os lugares. A primeira é Silvana Mendes, a mulher que acreditou em mim antes de mim mesma. Seu trabalho com fotografia e colagem é revolucionário, e ela vive a arte que acredita com uma intensidade que me inspira profundamente. A maneira como ela cria um universo digno é capaz de mudar realidades, e a minha, definitivamente, foi uma delas. Em seguida, Belkis Ayón, cuja obra é fundamentada na religião afro-cubana. Seus personagens, extremamente pretos, com olhos hipnotizantes, transmitem uma força silenciosa e misteriosa. Senti um misto de curiosidade e medo – o que considero perfeito. E, por fim, Sandra Cross, cantora londrina e pioneira do movimento reggae "lovers rock". Sua música me envolve, conecta com algo profundo e me embala. Ela é uma mulher romântica, de um olhar malandro, forte e performático.

Obra de arte de Tassila Custodes

Have you participated in any notable exhibitions that you would like to share?

A exposição Um Defeito de Cor, que não é apenas uma releitura histórica, mas um espelho que nos obriga a encarar o que preferimos esquecer. O que me marcou não foi só a grandiosidade da narrativa, mas os silêncios preenchidos - os detalhes que mostram como a história do Brasil foi construída sobre ausências e apagamentos. Kehinde, não é só um símbolo de resistência, mas uma provocação. Senti que a exposição não quer apenas informar, mas incomodar, tirar a gente do lugar confortável.
Ao caminhar pela exposição, vi que cada obra, cada fragmento de memória reconstruída, carregava uma urgência latente. Não se trata apenas de revisitar o passado, mas de entender como ele molda o presente. A exposição não oferece respostas fáceis nem se limita à celebração da luta; ela cutuca, tenciona, exige que a gente pergunte: de que lado da história estamos? Até que ponto carregamos - conscientes ou não - os legados desse passado?

Obra de arte de Tassila Custodes
Obra de arte de Tassila Custodes
Obra de arte de Tassila Custodes

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Instagram: @emiajedudu

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