A minha prática artística é informada por um diálogo interdisciplinar, onde influências como música, literatura, mídia e cultura afrodescendente desempenham papéis fundamentais. Essas referências enriquecem minha produção criativa e promovem uma abordagem artística híbrida que transita por diversos campos culturais e estéticos. A esquizofrenia, como tema e experiência pessoal, atravessa meu trabalho, oferecendo uma perspectiva crítica sobre saúde mental e seus impactos na subjetividade artística. A música permite explorar ritmos e harmonias que se refletem na estrutura das minhas criações visuais. A literatura serve como recurso narrativo, onde texto e subtexto desconstruem e refletem questões sociais. A mídia é uma fonte de crítica e inspiração, expondo questões de representatividade e manipulação de informações.

How did your journey into the art world begin?
Minha jornada na arte começou antes que eu pudesse entender. Aos sete anos, escrevi um pequeno poema para minha mãe, e ali, sem saber, já expressava algo profundo. Ajudando minha avó Zilá com seus artesanatos, ver minha mãe, Maria Luiza, pintar almofadas e panos de prato, as palntas baixas que meu pai Boleslau criava, os desenhos infantis, gibis. As revistas, os vídeos de skate e as lições de desenho com meu amigo Cupim e Fabiano Cabral, skatistas e artistas mais velhos, me guiaram através do tempo. Hoje percebo que a arte sempre esteve comigo, como missão e profissão nessa passagem pelo Planeta Terra.
How would you describe your artistic style?
Simples, consciente e potente.

What is your creative process like?
Trabalho de 8 a 12 horas por dia, de 5 a 6 vezes por semana, seja produzindo ou estudando.

What materials and techniques do you use most often?
Uso materiais geralmente muito simples próximos aos que usamos no ensino fundamental, pois minha intenção é aproximar as pessoas da arte e incentivar novos artistas. Entre as técnicas estão a pintura, desenho, colagem, vídeo arte e estou iniciando na escultura em argila, também crio canções inspiradas principalmente pela poesia beatnik.
Who are the artistic influences that have impacted your work?
Minha avó Zilá, minha mãe Maria Luiza, meu pai Boleslau , meus amigos Cupim e Fabiano Cabral, Jim Phillips, Paulo Kapela, Goya, Yayoi Kusama, Bob Thompson, João Magalhães, Ai Weiwei, Roberto Piva, Maria Auxiliadora, Heitor dos Prazeres entre outros.
What is the meaning of art in your life?
Para mim, a arte é essa ponte que conecta o que sou com o que o outro é. Quando crio, estou compartilhando minhas emoções, minhas vivências, de uma forma que palavras, às vezes, não expressam. Através da minha arte, consigo alcançar o outro, tocar em maneiras que eu talvez não conseguisse em um diálogo comum. É como se eu abrisse uma janela para que o outro enxergue o que sinto, mas também para que ele se veja ali.
A arte me permite transcender minhas próprias fronteiras e compreender o mundo de outra perspectiva. Ela faz esse caminho de mão dupla: ao mesmo tempo que coloco algo de mim no mundo, também recebo algo de volta, uma troca de sensibilidade e percepção. Eu crio para me comunicar, para construir essa ponte que, de forma sútil, une minhas experiências a experiência de outras pessoas.

How do you stay up to date on trends?
Em encontros com outros artistas, curadores, através de pesquisas, estudos e vivências.
Have you participated in any notable exhibitions that you would like to share?
Entre 2008 e 2012, participei como artista em trânsito no projeto Papel Pinel (Instituto Philippe Pinel, Botafogo/RJ). Em 2014, vim para São Paulo e fui um dos co fundadores da Ocupação Artística Ouvidor 63 (SP). Participei da curadoria coletiva da II Bienal de Artes Ouvidor 63, indicada ao Prêmio da Revista Select de Arte e Educação em 2018. Contribuí também com o projeto Skate Point (Ocupação Ouvidor 63). Em 2020, desenvolvi a arte de um shape de skate para Rodrigo Kbeça Lima, primeiro skatista profissional assumidamente gay no Brasil. Em 2021, iniciei uma residência artística no Estúdio Lâmina (Centro/SP), culminando na minha primeira exposição individual em 2022.
Em 2024, lançamos o primeiro álbum da "Nicolas Não Tem Banda" (banda da qual sou compositor e vocalista), com músicas criadas durante nossa “Hellsidência Artística na Ocupa Ouvidor 63.
Atualmente, faço parte do grupo de artistas BASA (sob mentoria de Lucas Velloso), da Associação Cavepool Skate e Cultura., também Integro o Projeto Afro, do pesquisador e curador Deri Andrade , que é uma plataforma afro-brasileira de mapeamento e difusão de artistas negros/as/es. O projeto deseja ampliar e visibilizar a produção artística de autoria negra no Brasil. E em meu ateliê, estou desenvolvendo a série “Domingo no Parque” com estréia marcada para março de 2025



