Julio Primeiro (CE), 1983, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua infância foi marcada pela convivência com inúmeros animais e pelas riquezas naturais do subúrbio onde cresceu, proporcionando-lhe uma experiência visceral dos ciclos de nascimento, vida e morte.
O artista tem um vasto domínio técnico, transmitido pelo pai, que o envolvia em seus passatempos e tarefas como marcenaria, elétrica e mecânica. Seus interesses abarcam os ciclos e fluxos naturais, as alterações na vida selvagem provocadas pelo homem e a intersecção desses tópicos com a ciência.
Em suas esculturas, ele utiliza materiais como madeira, sementes, papel, resina e tecido. Tem formação acadêmica em Design de Produto e estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage sob a orientação dos professores Marcus Bonisson e Franz Manata.


What themes do you prefer to explore in your works?
Minhas peças em parte exploram os ciclos da vida, abordando o fluxo entre vida e morte, e como a natureza interage e sobrepõe os artefatos criados pelo homem. Recentemente, me deparei com pesquisas fascinantes de Stefano Mancuso, Mônica Gagliano e Emanuele Coccia, que investigam a inteligência das plantas, revelando como são surpreendentes e subestimadas. Esses experimentos científicos confirmam minha percepção de que a vida e a natureza são cheias de mistérios. Através do meu trabalho, busco expressar como meu vejo essa força vital, criando esculturas que capturam essa essência.
What are your sources of inspiration?
O trabalho de Frans Krajcberg, que utilizou madeiras oriundas da Amazônia, inclusive de áreas queimadas, teve um impacto profundo na minha abordagem artística. Sua crítica à destruição ambiental através de esculturas expressivas me inspira a usar materiais orgânicos para transmitir mensagens sobre a fragilidade e a resiliência da natureza. Já Ângelo Venosa, que também trabalha com materiais que dialogam com os meus, traz uma exploração do orgânico e do geométrico que ressoa com minha busca por formas que integram elementos naturais e metáforas visuais. Essas influências alimentam meu desejo de explorar a interseção entre arte, natureza e matéria.





